Olá.
Meu nome é Emanuel, e hoje teria 35 anos se ainda me sentisse vivo. Não se assuste, ainda não estou morto, mas é que fazem 10 anos que eu não me sinto mais completo.
Como eu diria, há 10 anos atrás, minha vida de historiador era fascinante. Saía pela cidade afora tentando compreender um pouco da história de cada canto, mesmo que fosse um pacato bairro sem graça.
Cada canto era especial, mas um bairro tinha algo a mais: O Bairro Velho.
Cada rua, cada casa, cada cubículo comercial, cada morador possuía uma história surpreendente até mesmo para mim, que vivia para ouvi-las.
Mas hoje, quem tem uma história daquelas difíceis de se acreditar, sou eu.
O Bairro Velho intrigava a todos moradores da cidade, e ainda mais os historiadores.
Velhas lendas e mitos formavam a fama do lugar. Mas um historiador de 25 anos que se preze, não deveria temê-las.
A economia do bairro parecia não se movimentar, era intacta como vida de cada morador. Era difícil acreditar que pessoas como aquelas conseguiam sobreviver em uma cidade com elevado padrão socio-econômico.
O bairro parecia parado no tempo. Talvez estivesse parado a séculos atrás, numa espécie de feudalismo. E talvez tenha sido isso mesmo o que aconteceu. Séculos e séculos parados no tempo, graças aos caprichos do Rei Jurandir.
Jurandir era um gordo velho com aparência simpática e empatia inegualável. Pelo menos isso era o que os "estrangeiros" achavam sobre ele.
Mas para os velhos súditos moradores do Bairro Velho, Jurandir era como um rei.
Um rei diferente, não possuía castelos e carroagens, e sim uma pequena casa com alguns ônibus a cada 25 minutos. E era justamente com isso que ele conseguia manter o seu reino.
"Oi tudo bem?
-Sempre...
O senhor mora por aqui?
-Moro aqui.
Bom... e o senhor poderia me informar a que horas passa o próximo ônibus para o centro?
-Claro. Mas você não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?"
Após meu primeiro contato com o Bairro Velho e posteriormente com Jurandir, achei que poderia voltar a minha casa com conceitos diferentes sobre os que se ouviam sobre o Bairro Velho.
"Ah, claro que sim. Seria uma honra!"
E talvez tenha sido mesmo uma honra, a honra de ter deixado de ser um historiador e virar mais um bobo no reino de Jurandir.
Após aquele primeiro passo dentro da casa de Jurandir, o mundo se fechou, assim como todas as portas e janelas daquele lugar aterrorizante. Todas as luzes se apagaram, e tentei inutilmente refazer o caminho até a porta de entrada, mas apenas pude sentir um empurrão que bruscamente me fez cair no chão.
"Seu Jurandir? O que é isso? Tudo bem com você?"
-Muhahahaha!
E Jurandir começou a me fazer acreditar que as lendas eram mesmo verdadeiras, e o pesadelo tinha se tornado real. Tudo começava a fazer sentido.
O bar do bairro servia apenas sangue. A padaria vendia os próprios sonhos das vítimas. O açougue, é claro, vendia carne humana. E o armazém se encarregava de vender todo o resto.
"Vpppppt!"
Um machado veloz havia decepado a minha cabeça.
E logo as minhas partes seriam distribuídas pelo bairro.
Mas ser historiador tem seus lados bons...
Somos indigestos, não somos sangue-bom, e vivemos sem sonhos. Assim não nos resta mais nada.
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Feliz sexta-feira 13! :)
Jurandir's House of Horror XIII
sexta-feira, fevereiro 13
Postado por Igor;20 às 10:10
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1 comentários:
Nossa! Há quem diga que sexta feira 13 dá sorte.
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