Jurandir do Ponto de Ônibus

quinta-feira, fevereiro 12

Jurandir do ponto de ônibus era um peculiar morador daquele bairro pacato e sem graça da cidade. Sua vida baseava-se em passar a noite inteira dentro de casa, e o dia inteiro a dois metros do lado de fora, onde considerava que tinha seu próprio ponto de ônibus.
Muitos velhos aposentados do bairro tinham seu próprio negócio: um armazém, um bar, uma padaria ou um açougue. Mas Jurandir se considerava o velho mais importante do bairro, tinha seu próprio ponto de ônibus.

A paixão de Jurandir por ônibus era inquestionável, mas todos se surpreendiam quando descobriam que ele não possuia nem uma mísera e tão comum carteira de habilitação do tipo B.
E o que falar sobre tanto conhecimento sobre ônibus? Ele conhecia cada peça de um ônibus e suas funções, e muitas vezes conseguia identificar um possível defeito e apontar a sua solução. Mas diploma e experiência de mecânico? Mal conseguia consertar uma bicicleta...

Jurandir era grande como um ônibus. Parecia que sempre caberia mais um naquela barriga enorme. "Espaço para 44 frangos sentados e 36 em pé".
Não era por menos, Jurandir não praticava esportes a algumas décadas, e não se sentia atraído pela vida a pé. Darwin diria que era apenas adaptação ao meio, e os publicitários diriam que seria apenas marketing, um "passaporte" para sua vida social.

Mas tudo isso seria irrelevante. O importante é que as pessoas (darwinistas, publicitários ou simples mortais) não resistiam a Jurandir. Aquele velho gordinho que ficava sentado o dia inteiro era uma enciclopédia sobre empatia e informações onibusuárias.

Jurandir tinha sua própria e fiel freguesia:
Trabalhadores que religiosamente, de segunda a sexta-feira, embarcavam logo cedo para trabalhar em bairros distantes.
E os estudantes, de segunda a quinta-feira (certamente o custume de pegar ônibus nas sextas não era comum entre os estudantes, que preferiam matar aula na praça do bairro), mas Jurandir sempre estaria lá.

Mas Jurandir também tinha seu alvo preferido: os novatos. Era um defensor dos fracos e oprimidos. Seu coração sempre se derretia ao avistar um pobre e perdido estranho, precisando de ajuda e informações.
Mas Jurandir era uma bússola! Um relógio, um mapa, um serviço de atendimento ao consumidor, um guia turístico e ultimamente havia se transformado em um GPRS.

"Oi tudo bem?
-Sempre...
O senhor mora por aqui?
-Moro aqui.
Bom... e o senhor poderia me informar a que horas passa o próximo ônibus para o centro?
-Claro. Mas você não gostaria de entrar e tomar uma xícara de café?"

E lá se ia mais um "estrangeiro" -como Jurandir gostava de chamar os pobres e perdidos estranhos- encantado por um bairro tão acolhedor.

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Em breve falarei mais sobre Jurandir. Só postando esse rascunho pra "entrar em forma" outra vez. Abraços :)

2 comentários:

Thaís-inha! disse...

Entrou em forma bem.
Não o Jurandir.

Luminosidade. disse...

sem problemas pelo atraso! fico feliz em ter visto meu comentário!

obrigada pelos elogios, o seu blog já está na minha lista de favoritos!

vou jogar "jurandir do ponto de ônibus" no google pra ver se acho o endereço dele e faço uma visitinha!
heuhehoaiuehhauhe...


parabéns novamente!
abraços.