Declaro o réu...
*Miau Miau*
Meretíssimo, desculpe pela interrupção, mas diante das perceptíveis injúrias atribuídas ao réu Igor L. Damasceno me senti na obrigação de pronunciar algumas palavras ao seu favor perante à você e todos aqui presentes.
Conheci esse jovem no auge dos seus recém completos 16 anos. Desculpe-me senhor, mas não revelarei minha idade, que no momento é impossível de se descobrir, já que passei grande parte de minha vida na rua, um lugar muito ruim que pretendo esquecer, porém seria aonde eu habitaria sabe se lá por quanto tempo se o destino não colocasse esse humano em meu caminho. Lembro como se fosse hoje aquele que considero como o dia mais feliz de minha vida: Era véspera de natal, todas as famílias humanas celebravam a alegria e a vida, e a tradicional chuva continuava a soar como uma triste melodia para meus velhos ouvidos felinos. O que representaria toda aquela alegria? O fim do ano? Meus pensamentos só revelavam que seria mesmo o fim de minha vida... Em busca de uma morte tranqüila e indolor, busquei apenas me proteger do frio, aconchegando-me em uma árvore de natal torta em uma varanda de uma casa humilde. Eis o meu temor: eu acabara de me deparar com mais um daqueles seres responsáveis por essa ingrata vida me proporcionada até aquele momento, um humano, diga-se de passagem, do pior tipo possível, o adolescente. Não me restava alternativas, num ato quase que desintencional, eu arregalara meus grandes olhos amarelos na busca de uma fuga bem sucedida que poderia trazer mais alguns momentos de vida. Surpreendemente ele agiu diferente... diferente de como eu esperava, diferente de outro qualquer humano. O que eu deveria fazer? Ele não gritou expressões como: "Xô!!!" "Sai daqui bicho nojento!". Ele simplesmente abriu os braços e me abraçou. Ele não se importou com meu estado, com meus dentes ausentes, nem com minha pata deformada, que me torna incapaz de viver como os gatos normais.
-Mãe, mãe, olhe o que eu achei!
-O que foi filhinho, achou seu presente? Ohhh! O que é iss.. Oh meu Deus, outro gato? Coloque ele na rua querido, já temos muitos bichinhos por aqui.
-Mas mãe, ele é tão bonito! Esse gato vai ficar comigo sim! Uhn, por falar nisso, nem olhei o sexo... Olha mãe, é uma gata!
-Que isso meu filho! Uma fêmea ainda!?! Ela ainda vai ter filhotes e vai nos causar mais problemas. Não coloque esse bicho dentro da minha casa não!
Murmurou-me:
-Ah gatinha, se isso não for possível, não se preocupe, ficarei com você para te proteger do frio, depois convenço minha mãe a te deixar por aqui, eu sempre consigo.
E ali ele realmente ficou. A cada minuto sua promessa se concretizava, e minhas alternativas de fuga estavam ficando cada vez mais irreais... Minha pata amputada fazia de mim um ser tão inoperante quanto a um humano, parecia que acabaria me sucumbindo perante aquele humano, que nem era dos mais fortes e altos... E aquele abraço? Poderia significar alguma coisa? Com o passar de mais minutos, percebi que sim, Meretíssimo. Vieram mais e mais abraços, mais elogios e palavras de conforto, capazes de no mínimo indagar uma velha gata como eu. Acabei cedendo. Ao menos aquele humano me aquecia com o famoso calor humano, até então desconhecido por mim. Esse calor salvou minha vida, Meretíssimo. Quem dera se todos os meus semelhantes pudessem receber esse calor ao menos uma vez em cada 7 vidas! E se dependessem desse garoto, pode ter certeza que teriam! Enfim, foi isso que me trouxe de volta a vida, e me faz continuar até hoje.
Juiz: Tudo bem, Senhorita Gata. É uma bela história de sobrevivência, mas e agora, onde você está?
Neste exato momento, em sua cama, debaixo de suas cobertas. E também defendendo-o nesse processo incabível!
Onde já se viu, processar alguém como este garoto... francamente! Vocês não enxergam como são vocês? Vocês não se põem em comparação com este "réu"? E se tardasse-me mais um pouco, ele acabaria sendo culpado! É um absurdo, e o pobre garoto não pode contar com um mísero advogado de porta de cadeia para defende-lo! Só me restava vir até aqui, mesmo como uma gata, para ensinar a vocês humanos uma lição!
PROTESTO, Meretíssimo!
Quem é este "ser" que se julga capaz de advogar à favor do réu? Esse "bicho" viveu nas ruas, com os piores tipos possíveis. Será que está mesmo falando a verdade? Essa "coisa" é pobre, com vários filhotes para sustentar, aposto que seria capaz de fazer qualquer coisa por dinheiro, até mesmo se sujeitar aos métodos humanos de julgamento, já que não caberia a nós impor as devidas punições a ela. E além do mais, Meretíssimo... ELA É UMA GATA, E GATOS NÃO FALAM!
Protesto negado.
Se gatos não falam, também não são capazes de mentir.
Por fim:
Declaro o réu inocente, e determino que todos os humanos do planeta se tornem iguais a ele.
Nota do autor: Confira mais aventuras de Dolcissima Maria quando alguma editora publicar meu livro. Confira mais fotos de Dolcissima Maria assim que eu encontrar em meu HD. E por último, mas não menos importante: ELA NÃO ESTÁ A VENDA, tente encontrar uma no próximo natal.
Em minha defesa convoco Dolcissima Maria
terça-feira, julho 8
Postado por Igor;20 às 21:48
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4 comentários:
Não gosto de gatos.
Vc está se superando, Igordão.
Quero ver esse tal livro das aventuras de Dolcissima Maria publicado.
Interessante, comovente. Gostei!
Nina disse:
Se minha mae tem direito a livro, tem ki ter eu tb porkeh todos sabem eu sou a filha mais importante e tb encontrei uma dona perfeita e ki eh praticamennte do mundo do Igor L Damasceno. taa mais minha segunda mae eh mais gente boua, mais bonita, e mais inteligente.
Oi, gatos me comovem, a evolução de Igor na escrita também.
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